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Wednesday, May 23, 2007

Pitty, um marco histórico na música brasileira.

Coluna do José Carlos Demian, o Rançoso.

ESQUEÇA MACHADO DE ASSIS!!
ESQUEÇA, CHICO BUARQUE, CAETANO E RAUL SEIXAS!!
CONHEÇA A PITTY!!

É engraçado como o brasileiro tem mania de ser o que não é; tem mania de ser feliz quando não é; tem mania de criticar os políticos, mas se estivesse no lugar dos mesmos, provavelmente faria o mesmo; tem mania de ser MPB profundo, quando é um Popzinho safado e raso!
Falo isso porque um dia nosso cenário musical teve alguma “sustança”, pois exigia uma certa criatividade, nos tempos da ditadura. O intelecto dos músicos da época era desenvolvido graças à seleção natural. “Sobreviviam” os que falassem o que queriam, sem que os ouvidos implacáveis da censura conseguissem captar a mensagem.
Metáfora, meus caros... Metáfora! Acontece que o lance de simbolizar para camuflar os pensamentos ficou glamuroso, já que os caras da época ficaram, em boa parte, ricos e cultuados. Sendo assim, a música popular brasileira – o popzinho da época – se transformou em algo rebuscado, só compreendido pelos que dotam inteligência fora do comum. Por isso mesmo, a música popular brasileira, por mais paradoxal que seja, virou antônimo de música pop (abreviação de música popular).
Falando em paradoxo, vamos ao paradoxo dos paradoxos. O fenômeno Pitty. Ex punk-podre da banda Inkoma, a baiana rebelou-se contra o Axé, estilo mais pop daquele estado, graças à uma postura plenamente alternativa. Após “amadurecimento” Pitty aprendeu a tomar banho e a cantar, e conseguiu montar uma banda de rock, da qual é proprietária. O nome é, pasmem: “Pitty”.
Com uma postura claramente “alternativa”, lançou como primeiro single: A máscara, em 2003. Nesta canção, Pitty valoriza as pessoas não-convencionais e recriminadas, gritando: “seja você, mesmo que seja estranho, seja você, mesmo que seja bizarro”.
Legal. Ela era punk alternativo sujo, virou punk limpo alternativo, depois virou pop. Agora, a bola da vez é o hit “Na sua estante”. Um show de emprego de metáforas, para sindicato nenhum botar defeito. Passagens como “já vesti minha armadura”e “não ficaria bem na sua estante”, para um leigo, determinam que se trata de um bonequinho de chumbo cantando. Outras passagens emocionantes como: “te vejo errando e isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar” e “e não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos”, são dolorosamente brilhantes (se me permitem a metáfora) e quase me fazem querer ouvir o Chico (expressão que os adoradores de MPB usam, para sugerir intimidade com o Chico Buarque).
É, meu povo! Como falei acima, brasileiro tem mania de ser o que não é. To achando que ela quer mostrar que é o ícone poético dos anos “doismils”, com tanto incremento nas suas letras feitas para adolecentes adoradores de RBD. Pitty quer ser MPB também!
Mas péra lá! A Pitty virou MPB então? MPB não é antônimo de pop? Punk alternativo não é anti-pop? Então o que diabos essa Pitty quer da vida? Amparada pela filosofia Raulesca “Metamorfose Ambulante”, se ao menos for criteriosa e seguir a regra dos opostos que vem seguindo, é provável que mude de anti-cristo para cantora de louvores...

Saturday, May 19, 2007

A partir de hoje, vou postar aqui as versões agressivas das colunas que escrevo para o jornal interno da empresa em que trabalho. Senhoras e senhores, com vocês: Norton Notório, o Notável.

O MEU FILHO JOCISCLEITON (por Norton Notório, o Notável)
Já faz algum tempo que ando observando o comportamento do meu filho Jociscleiton Joílso. Meu querido menino tem 14 anos e passa por dolorosas dúvidas quanto ao mundo, ao seu destino, à sua missão na Terra e ao futuro do Flamengo no campeonato brasileiro. Notoriamente, seu perfil tem mudado duas ou três vezes por dia, em média. Isso faz com que ele, às vezes, nem me atenda quando o chamo pelo nome. É natural, pois, em algumas ocasiões, sua personalidade momentânea e volátil nega que seu nome um dia foi Jociscleiton.
Semana passada, eu chamei meu filhão para jogar dominó comigo e ouvir minha coleção de Zé Canhoto e Robertinho. Ele deu um grito agudo e um pulo (eufemismo para: "deu um chilique tremendamente gay"). E eu quase tive um ataque do coração com tamanho susto.
- Aonde??? Até parece que vou pagar um mico desses!!!- exclamou meu filho – O que minhas amigas vão pensar (até por que, mesmo sendo masculinas as amizades, continuam sendo "amigas"), se virem um Emo jogando dominó e ouvindo Sertaneja?
Hoje, ele só usa preto, pinta os olhos, anda sem mexer os braços e chora o dia todo, dizendo que ama demais e sofre muito com isso.
Recentemente comecei a cronometrar o tempo que ele e minha esposa tomam para se produzirem. A prole (filho) supera sua genitora (mãe gostosa) em 2 minutos e 24 segundos. Sei lá como vai ser semana que vem, né? Será que meu filho vai virar surfista ou pagodeiro? Espero que punk... Com essa promiscuidade de valores, não tenho mais certeza de nada.


Norton Antônio Notório Magalhães é editor de um jornal interno de uma empresa famosa. Tem 68 anos e está fazendo graduação em culinária. Sua especialidade é molho tártaro. É, dentre outras qualidades, extremamente preconceituoso e violento, nas horas vagas.